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Cães

Um cão de guarda tem a função de proteger a casa onde vive. Mas ele não é capaz de fazer distinção de um desconhecido qualquer. Para ele, tanto faz se quem chega é um ladrão, vizinho ou carteiro. Seu único propósito é impedir que estranhos adentrem seu território, por isso manifesta sua agressividade com qualquer sinal de aproximação.
Muitas vezes instalamos em nossas mentes, cães de guarda ao redor de nossas convicções. Dessa forma, basta que alguém se aproxime com argumentos diferentes daqueles os quais nos embasamos e o nossos vigias interiores imediatamente já começam a rosnar os dentes. Deixamos de lado o bom senso e por vezes abandonamos a lógica, para proteger esse território sagrado onde guardamos as opiniões, crenças e paixões. E exatamente como um animal que age apenas por instinto, deixamos de fazer avaliações capazes de distinguir entre o que é bom ou não. Entre o que faz sentido e o que é incoerente... Nosso “firewall” age como um programa inflexível não permitindo a entrada de uma ideia nova, uma visão diferente ou até mesmo uma oportunidade de crescimento.
No entanto, vale lembrar que em nossas casas, um cão de guarda só atacará aquele que entrar sem autorização, pois na hora que os bem-vindos chegam, é comum que prendamos nossos amigos caninos impedindo que eles ataquem aqueles que são inocentes.
Mas frequentemente, nós nos esquecemos de conter nossas sentinelas da mente quando argumentos bem intencionados nos chegam. Sendo eles contrários ao que guardamos, a agressividade se manifesta. Assim que sentimos o cheiro do desconhecido ou da informação antagônica, bloqueamos a razão e babamos com fúria, nossa sabedoria concreta.
Precisamos aprender a nos desarmar para o novo e o desconhecido, pois quem sabe quem nos bate à porta pode muito bem ser aquilo que nos libertará.

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